Caros leitores,

Após discutirmos e conhecermos melhor a história e etiologia das lesões de pele relacionadas a umidade na primeira publicação, daremos continuidade ao tema abordando prevenção e tratamento.

Prevenção e Tratamento

  • A base da prevenção da DAI está em evitar ou minimizar a exposição aos fatores causais da incontinência, em combinação a um rol de cuidados com a pele.
  • A adoção de recursos para elaborar um protocolo, baseia-se primeiramente em evidências científicas, análise de custo dos produtos, efetividade, disponibilidade no mercado, registro, ressarcimento pelas fontes pagadoras e recursos humanos.
  • A frequência e o tempo de exposição à urina e fezes, são combinações que favorecem consideravelmente o aparecimento da DAI. A equipe de enfermagem precisa ser orientada quanto a magnitude do problema.
  • Deve ser adotada técnica de higienização da pele com ações mecânicas suaves, evitando-se ao máximo a fricção.
  • Os higienizantes não devem conter perfumes, corantes, nem qualquer outro irritante potencial (detergentes fortes), ter o pH semelhante ao da pele (pH 5,0) para não interferir na microflora cutânea. O pH alcalino é o principal responsável pela ação irritante e desidratante da pele, frequentemente encontrado nos sabonetes em barra.
  • Rever enxoval: toalhas de banho devido a  aspereza das fibras e pela fricção proporcionada durante a higiene, podem levar a lesão de pele.
  • Utilizar fralda que promova boa absorção, que possua um tamanho compatível com o indivíduo, com costuras protegidas para evitar traumas e não somar recursos, como por exemplo utilizar fralda e forro absorvente concomitante. Essa associação é muito prejudicial, pois provoca o superaquecimento cutâneo e ambiente ainda mais úmido, aumentando consideravelmente o risco para DAI e ou piora do quadro.
  • Produtos que funcionam como barreira protetora devem ser instituídos e os princípios ativos mais empregados são óxido de zinco (creme e pó), dexpantenol, petrolato, dimeticona, entre outros. O uso de corticoides é restrito, assim como o uso de antifúngico, deve ser empregado somente na vigência de infecção secundária, como a DAI fúngica.
  • Ajustes nutricionais também devem ser realizados, pois contribuem na reparação tecidual, resposta inflamatória, no controle intestinal e na formação do bolo fecal.
  • Deixar a região livre do contato da fralda por 30 minutos, três vezes ao dia.
  • Em alguns casos, um dispositivo de contenção ou desvio das fezes líquidas pode ser indicado.

A Dermatite Associada à Incontinência sempre esteve presente nas instituições (hospitais, casas de repouso, home care, etc.), mas reconhecê-la como evento adverso é recente. É importante que as instituições elaborem protocolos de prevenção e tratamento pautado no regime de cuidado, deste relevante evento.

 

Torna-se importante que as instituições   adotem indicadores assistenciais que mensurem incidência e prevalência do evento,   correlacione aos indicadores de LP, a fim contribuir na gestão assistencial.  Refletir o perfil institucional e proporcionar a adoção de melhores práticas deve ser o objetivo das instituições para a manutenção da qualidade assistencial.

REFERÊNCIAS

  1. Gray MBliss DZDoughty DBErmer-Seltun JKennedy-Evans KLPalmer MH. Incontinence-associated dermatitis: a consensus. J Wound Ostomy Continence Nurs.2007 Jan-Feb;34(1):45-54
  2. Black JM, Gray M, Bliss DZ et al. MASD Part 2: Incontinence-associated dermatitis and intertriginous dermatitis. J WOCN 2011; 38(4): 359-70.
  3. Beeckman D, Global IAD Expert Panel. Incontinence associated dermatitis: moving prevention forward. Wounds International 2015. Available to download from www. woundsinternational.com
  4. Domanski , RC; Borges, EL; Manual para prevenção de lesões de pele: recomendações baseadas em evidencias, Ed. Rubio 2012.