Caros leitores,

Vamos a partir de agora, abordar em duas publicações as lesões de pele relacionadas à umidade. Na primeira publicação abordaremos sua história e etiologia, e na segunda publicação abordaremos prevenção e tratamento.

O termo em inglês  Moisture-associated skin damage (MASD), descreve como  um dano a pele associado à umidade, um termo geral para inflamação ou erosão da pele causada por exposição prolongada a uma fonte de umidade, como urina, fezes, suor, drenagem da ferida, saliva ou muco. Para que a MASD ocorra, além da exposição à umidade, outros fatores complicadores geralmente estão associados, como os fatores mecânicos (fricção), químicos (irritantes contidos na fonte de umidade) ou microbianos (microorganismos). As lesões de pele relacionadas à umidade se dividem em quatro tipos: Dermatite Associada à Incontinência (DAI), Dermatite Periferida (DPF), Dermatite Periestomal (DPE), Dermatite Intertriginosa (DIT). A seguir vamos abordar a precursora:

Dermatite Associada à Incontinência

Uma variedade de termos tem sido utilizados para descrever os problemas de pele associados à incontinência, em adultos esses termos são conhecidos como: maceração por umidade, dermatite perianal, dermatite irritante, dermatite de contato, erupção cutânea por calor; nos infantes: erupção cutânea por uso de fralda; dermatite irritativa de fraldas, dermatite perianal e dermatite amoniacal.  Diante desse cenário, em 2005, ocorreu a primeira reunião de especialistas, concluíram que não havia conformidade quanto à denominação deste evento, e manifestaram o desejo de trabalhar com a descrição do evento como DAI. Em 2007, profissionais especialistas publicaram o primeiro consenso sobre DAI, reforçando a padronização do termo, parâmetros de diferenciação diagnóstica da DAI e Lesão por pressão (LP), entre outros.1 Em 2011, foi publicado o segundo consenso, esse de maior impacto, envolveu profissionais americanos e europeus,  e abordou todas as lesões relacionadas à umidade.2 Finalmente, em 2015 foi publicado o terceiro consenso, esse ficou conhecido como “global”, pois contou com profissionais de diferentes países e preocupou-se em atender as necessidades de todos os especialistas presentes.3

Etiologia

A DAI é predominantemente uma irritação química resultante do contato da urina e ou fezes coma pele. A amônia presente na urina e as enzimas digestivas presentes nas fezes, podem perturbar o manto hidrolipídico presente na epiderme, que possui pH acidificado (pH 5,0), deixando-o alcalino (pH 7,5-8,0). Uma vez que essa barreira cutânea sofra prejuízo, a pele perde a sua proteção natural, aumenta a taxa de perda de água transepidérmica, e torna-se vulnerável aos agentes agressores presentes nas eliminações e infecções. A maceração decorrente da “umidade”, também desempenha papel fundamental na formação e agravo da DAI, pois, torna a pele mais suscetível ao dano da fricção. A área afetada pela DAI apresenta eritema, maceração e em situações mais graves, pode progredir para erosões cutâneas dolorosas de espessura parcial e drenagem de exsudato seroso. Se não for tratada e sofrer agravos de pressão e ou atrito, favorecerá a formação da LP, atingindo estruturas mais profundas da pele e tecidos subjacentes. Estudos pontuam que individuo com DAI tem 32 vezes mais chance para desenvolver LP.1,2 Quanto a localização, não se limita à área perineal, pode se estender a parte inferior das costas ou face interna das coxas.1,2,3,4

Há várias situações que colocam o indivíduo em risco para DAI, além da incontinência urinária e fecal, como a diarreia, frequência e qualidade das higienizações, mobilidade e ou percepção sensorial comprometida, antibióticos, quimioterápicos, corticoides, recursos empregados para higienização e manejo da incontinência.4

Rosangela A. Oliveira

 

REFERENCIAS

  1. Gray MBliss DZDoughty DBErmer-Seltun JKennedy-Evans KLPalmer MH. Incontinence-associated dermatitis: a consensus. J Wound Ostomy Continence Nurs.2007 Jan-Feb;34(1):45-54
  2. Black JM, Gray M, Bliss DZ et al. MASD Part 2: Incontinence-associated dermatitis and intertriginous dermatitis. J WOCN 2011; 38(4): 359-70.
  3. Beeckman D, Global IAD Expert Panel. Incontinence associated dermatitis: moving prevention forward. Wounds International 2015. Available to download from www. woundsinternational.com
  4. Domanski , RC; Borges, EL; Manual para prevenção de lesões de pele: recomendações baseadas em evidencias, Ed. Rubio 2012.