Caros leitores,

Muitas instituições sem fins lucrativos, dedicam-se à construção de guias, condutas e diretrizes  à prevenção e tratamento das lesões por pressão (LP).  A  National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), é uma instituição norte-americana, a European Pressure Ulcer Advisory Panel (EPUAP), europeia e a Pan Pacific Pressure Injury Alliance (PPPIA), representam os países do Pacífico, todas norteiam a prática clínica alicerçada em evidências científicas. No Brasil, contamos com algumas sociedades como a SOBENDE – Sociedade Brasileira de Enfermagem Dermatológica e a SOBEST- Sociedade Brasileira de Estomaterapia, já mencionadas na primeira publicação.

As políticas de saúde que envolvem o tema, são fundamentais para a gestão da LP.  As nacionais tiveram início em 2013, quando o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançaram o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), cujo objetivo é prevenir e reduzir a incidência de eventos adversos – incidentes que resultam em danos ao paciente como quedas, lesões por pressão, entre outros. O PNSP abrange serviços de saúde públicos e privados, e é composto por inúmeros protocolos.1

O protocolo de prevenção da LP do PNSP, tem foco multidisciplinar, fruto de um trabalho integrado entre os gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), os Conselhos Profissionais na Área da Saúde e as Instituições de Ensino e Pesquisa sobre a Segurança do Paciente. Formulado dentro de rigorosos parâmetros de qualidade, precisão de indicação e metodologia, se propõe a nortear ações de prevenção das LP, de modo a contribuir na melhoria da qualidade dos serviços de saúde e na segurança do paciente. As principais medidas de prevenção do protocolo nacional de prevenção LP são:

  1. Avaliação dos pacientes em risco;
  2. Manejo do estado nutricional, incluindo hidratação;
  3. Inspeção e avaliação diária da pele;
  4. Manejo da umidade (paciente incontinente “seco” / pele hidratada);
  5. Redistribuição da pressão.2,3

O PNSP também procura incentivar que os serviços de saúde executem o “gerenciamento de risco  da LP” em sua totalidade, integrando os processos de cuidado e articulação, com os processos organizacionais. Que os serviços tenham transparência no manejo dos seus dados de incidência e  prevalência das LP, e que esses indicadores sejam ferramentas de melhorias, pautadas na  responsabilidade, sensibilidade e capacidade de reagir à mudanças.

Devido à abrangência deste tema, ele será abordado em partes para um melhor entendimento dos nossos leitores. Apresentaremos as nomenclaturas atuais, diretrizes internacionais da NPUAP, EPUAP e PPPIA e sociedades internacionais envolvidas com a causa. Essas diretrizes foram construídas com as melhores evidências científicas para que a prevenção de fato, possa ser aplicada à diferentes situações de risco (pacientes cirúrgico, cuidados intensivos, politraumatizados, obesos, crianças, idosos e outros) e que o tratamento da LP, pautado em condutas eficazes para a reparação tecidual.4

Até breve!!!

Rosangela A. Oliveira

 

Referência Bibliográfica:

  1. Protocolos Básicos de Segurança do Paciente saude.gov.br/segurancadopaciente
  2. Programa Nacional Segurança do Paciente – Protocolo de Úlcera por pressão: http://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/ulcera-por-pressao
  3. Ministério da Saúde: Protocolo de Úlcera por pressão https://proqualis.net/sites/proqualis.net/files/000002429jFPtGg.pdf
  4. National Pressure Ulcer Advisory Panel, European Pressure Ulcer Advisory Panel and Pan Pacific Pressure Injury Alliance. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers: Quick Reference Guide. Emily Haesler (Ed.). Cambridge Media: Osborne Park, Western Australia; 2014.