Caros leitores,

Nas últimas décadas houve um aumento da expectativa de vida no Brasil, aumentado à população de idosos nos domicílios, nas casas de saúde e no atendimento hospitalar.

A idade avançada leva a perda da força tensil, perda da elasticidade, diminuição do turgor, diminuição da absorção do impacto, desidratação e ressecamento. Além da fragilidade da pele, o traumatismo mecânico é outro fator que envolve a fisiopatologia das Skin Tear ou  lesões por fricção. (1)

O termo em inglês Skin Tear foi traduzido e validado para a língua portuguesa em 2010 por Strazzieri-Pulido como Lesão por fricção, estabelecendo também o sistema de classificação STAR.

As Skin Tear tratam-se de “feridas traumáticas”, que ocorrem principalmente nas extremidades de idosos, resultante de fricção ou de uma combinação de fricção e cisalhamento, levando à separação da epiderme da derme (ferida de espessura parcial) ou separando totalmente a epiderme e a derme das estruturas subjacentes (ferida de espessura total). (2,5) ,  podendo ser classificadas conforme o sistema de classificação STAR – Skin Tear Classification System, que consta de 5 categorias de acordo com o dano encontrado: 1ª, 1b,2ª, 2b e 3. (5)

Essas lesões são mais frequentes nos membros superiores, dorso das mãos e nos membros inferiores na região tibial. Podem ser ocasionadas pela fricção resultante do contato da pele com superfícies agressoras: grades das camas, suportes para os pés nas cadeiras de rodas, quinas dos móveis, lençóis, fitas adesivas e até mesmo pelas mãos.(3)

Existem fatores de risco que podem ser  intrínsecos: extremos de idade recém nascidos e idosos acima de 75 anos, imobilidade, dificuldade de locomoção ou desequilíbrio, neuropatias, equimoses, pele seca, descamativa e frágil entre outros  e extrínsecos: uso de corticoides, polifarmácia, anticoagulantes, remoção de fitas adesivas, quedas, contenções, uso inadequado de barreiras protetoras de pele. (4)

Para realizar a avaliação das lesões por fricção, é necessário conhecer a idade do paciente, estado nutricional, avaliar sua ferida, determinar a história clínica, comorbidades, estado geral de saúde e potenciais de cura da lesão. Deve-se estabelecer a causa com os seguintes questionamentos: quando, onde e como ocorreu a lesão por fricção.  O principal objetivo no gerenciamento dos cuidados são: preservar o retalho de pele, proteger o tecido circundante, reaproximar as margens da ferida sem alargamento da pele, e reduzir o risco de infecção. Para o sucesso da reparação tecidual na vigência da lesão por fricção, alguns passos são importantíssimos:  controle do sangramento, limpar a ferida, aproximar o retalho cutâneo, selecionar um curativo adequado, avaliar e reavaliar. (6)

Embora as lesões por fricção estejam presentes no nosso dia a dia em número crescente, prover cuidados diários em pacientes com pele frágil é um desafio, pois um pequeno traumatismo pode evoluir para uma lesão por fricção, dolorida, que infeccionam facilmente aumentando o desconforto, o tempo de cicatrização e os custos com o tratamento.

Será um prazer estar contigo! Até a próxima!

Rosangela A. Oliveira

 

  1. Payne R, Martin M. Skin tears: the epidemiology and management of skin tears in older adults. Ostomy Wound Manage 1990;26:26-37.
  2. Payne R, Martin M. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage 1993;39(5):16-20.
  3. Peres RPG, Strazzieri-Pulido KC, Prevenção de Lesões por fricção, in Manual para Prevenção de lesões de pele: recomendações baseadas em evidencias.Rio de janeiro, Ed. Rubio 2012; 71-90.
  4. Strazzieri-Pulido KC, Santos VLCG. O que precisamos saber acerca das Lesões por Fricção. Estima 2010;8(3):34-41.
  5. Strazzieri-Pulido KC. Adaptação cultural e validação do instrumento STAR Skin Tear Classification System, para a língua portuguesa no Brasil [dissertação]. São Paulo: USP;2010. 112p.
  6. Torres F da S, Blanes L, Galvão TF, Ferreira LM: Manual de Prevenção e Tratamento de Lesões por Fricção, SP 2016.